Tag Archive: Literatura Sem Preconceito



Ele cumpre em todo final de ano o mesmo ritual: liga pros classificados” e solicita o garoto que dormirá consigo esta noite.

Por quê no último dia do ano?

O garoto deve se parecer um pouco com o filho que não teve e que  não pretende.

No meio da conversa deve sugerir que está cansado desta vida.

Não importa a cor – ainda que não conheça nenhum rapaz de programa negro.

Tentará convencê-lo a não mais se prostituir – claro, depois de dormir consigo e comemorarem a passagem de ano juntos.

Ele cumpre em todos os finais de ano o mesmo ritual desta noite.

TOM



“É um cubo mágico. Memórias e conceitos detonam movimentos internos. Imagens substituem blocos coloridos e clicam em coesão. Colunas conectam. Linhas surgem. Você pega o que precisa e o que você foi e passa tudo pelo filtro do que você se tornou. Você impõe ordem. Você joga uma cereja no bolo. Se você é talentoso e honesto e puro, tudo funciona (…)

“Escreva bêbado, edite sóbrio.” Ernest Hemingway Continue lendo


Foda-se a escola.

Foda-se o trabalho duro.

Foda-se essa mentira de que você está fodido e mal pago sem um diploma.

Leia, assista a filmes policiais, vague por Los Angeles.

Fantasie e cutuque seu nariz e conte histórias para você mesmo. (…)

Seja preguiçoso. Seja indolente.

Ignore a sabedoria adulta.

Seja consumido pelo fogo de seu insensato auto-conhecimento.”

James Ellroy (Where I Get My Weird Shit)


“(…)O 12º romance de  Edmund  White foca uma categoria de amizade que não é tratada com frequência: o relacionamento de toda uma vida entre um heterossexual, Will Wright, e seu amigo gay da faculdade, Jack Holmes. Continue lendo


A fatalidade de ser gay se confunde com a idéia de ser aceito ,de parecer “normal”, como se a orientação sexual  fosse algo a ser conquistado.

A fatalidade de ser gay está no cerne da morte, da dor, da prostituição e do crime de que às vezes (muitas e não poucas) são conduzidos a maioria dos homossexuais por seus pares (entenda-se familiares e adjacentes). Continue lendo


 

Saber que um escritor era ou não gay não o torna melhor nem pior, nem influi no poder de sua literatura.

Mas não custa nada conhecer , por exemplo que a figura que inspirou a namorada do narrador, Albertine,“Em busca do tempo perdido”  , tenha sido Alfred Agostinelli, chofer do escritor. Continue lendo


Anjos mendigos vagam atordoados pelas ruas:

ganharam a graça de se tornarem humanos

mas não sabem o que fazer com isso.

Adentram igrejas, miram a testa do Cristo

e se perguntam “por que?”.

São humano-impostores catando vestígios da divindade perdida. Continue lendo


Meu amado Pasolini,

Hoje é

um dia azul de maio e eu aqui,segunda-feira de manhã, olhando a roseira do pátio cheia de botões, fechei a pasta com a tradução das tuas histórias e fiquei pensando em ti.

Estranho: quando penso em ti, das tuas muitas imagens, me fica sempre uma na cabeça – aquele rosto um pouco endurecido demais, com muitos vincos em torno dos lábios apertados, e um brilho nos olhos. Aquele brilho que têm os olhos das pessoas que viram coisas que as outras pessoas não ousaram ver. Continue lendo


Cinco poetas dos anos 70 não se enquadravam nos padrões estabelecidos pela ditadura militar.

Os versos de Ana Cristina César, Cacaso,Chacal, Francisco Alvim e Paulo Leminski usam psicodelismo e irreverência para abordar velhas angústias da alma, sensualidade, medo…

Ana Cristina César

olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas    Continue lendo