Tag Archive: Crônica



 

“Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-lo.

 Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.

Dificuldades para fazê-la forte.

 Tristeza para fazê-la humana.

E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Continue lendo


Foda-se a escola.

Foda-se o trabalho duro.

Foda-se essa mentira de que você está fodido e mal pago sem um diploma.

Leia, assista a filmes policiais, vague por Los Angeles.

Fantasie e cutuque seu nariz e conte histórias para você mesmo. (…)

Seja preguiçoso. Seja indolente.

Ignore a sabedoria adulta.

Seja consumido pelo fogo de seu insensato auto-conhecimento.”

James Ellroy (Where I Get My Weird Shit)


A fatalidade de ser gay se confunde com a idéia de ser aceito ,de parecer “normal”, como se a orientação sexual  fosse algo a ser conquistado.

A fatalidade de ser gay está no cerne da morte, da dor, da prostituição e do crime de que às vezes (muitas e não poucas) são conduzidos a maioria dos homossexuais por seus pares (entenda-se familiares e adjacentes). Continue lendo


O que pessoas como Cassia Eller, Cazuza e Renato Russo fizeram um dia antes de suas mortes? Tomaram café com bolinho? Ligaram pros amigos? Ficaram a “ouvir estrelas”? Tocaram piano durante toda a noite?Secaram um litro de cointreau? Ou simplesmente suspiraram, aliviados (porque às vezes, a vida pode ser um fardo)? Continue lendo


“Não será surpresa para mim se dia desses o Vaticano anunciar o que tanta gente desconfia: que o Inferno não existe. Há quem diga que existe, e até funciona aqui perto de casa em dia de jogo do Corinthians. Não duvido. Mas me refiro à matriz, ao inferno propriamente dito, mobiliado com caldeirões de água pelando e animado por diabos magros (alguém já viu diabo gordo?) e espevitados, com chifres de bode e rabos em forma de seta, tridente em riste para espetar a carne fraca dos ímpios. Pois vai acabar, se é que algum dia existiu.”

Fragmento do livro de crônicas “Este Inferno Vai Acabar” de Humberto Werneck


  1. ALIEN,O 8º PASSAGEIRO - TALVEZ UMA METÁFORA PREMONITÓRIA DA AIDS

    O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA – RENÚNCIA É O ATO MAIS NOBRE

  2. OS BRUTOS TAMBÉM AMAM – O MITO DO CAVALEIRO ANDANTE

  3. RASTROS DE ÓDIO – SOBRE AQUELES QUE ELEGEM A VINGANÇA

  4. APOCALIPSE NOW – O EMBATE DE NOSSOS EXÉRCITOS INTERIORES

  5. O PAGADOR DE PROMESSAS – OS OBJETIVOS SÃO ENTORPECENTES MUITO AUTODESTRUTIVOS

  6. BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES – COPULEI COM A BELA MADRASTA BOAZINHA… Continue lendo


As razões cruciais que levaram a inquisição a perseguir os homossexuais masculinos teriam sido duas.

 Ao condenar à fogueira apenas os praticantes da cópula anal, os inquisidores reforçavam a mesma maldição bíblica que condenava ao apedrejamento “o homem que dormir com outro homem como se fosse mulher”. Continue lendo


Meu amado Pasolini,

Hoje é

um dia azul de maio e eu aqui,segunda-feira de manhã, olhando a roseira do pátio cheia de botões, fechei a pasta com a tradução das tuas histórias e fiquei pensando em ti.

Estranho: quando penso em ti, das tuas muitas imagens, me fica sempre uma na cabeça – aquele rosto um pouco endurecido demais, com muitos vincos em torno dos lábios apertados, e um brilho nos olhos. Aquele brilho que têm os olhos das pessoas que viram coisas que as outras pessoas não ousaram ver. Continue lendo


O astrônomo lê o céu, lê a epopeia das estrelas.Ora, direis, ouvir & ler estrelas.Que estórias sublimes, suculentas na Via Láctea.O físico lê o caos.Que epopeias o geógrafo lê nas camadas acumuladas num simples terreno.Um desfile de carnaval, por exemplo, é um texto.Por isso se fala de “samba-enredo”.Enredo além da história pátria referida.A disposição das alas, as fantasias, a bateria, a comissão de frente são formas narrativas.

Uma partida de futebol é uma forma narrativa[…].

Não é só Sherazade que conta histórias. Um espetáculo de dança é narração. Uma exposição de artes plásticas é narração. Tudo é narração.

“Ler o Mundo” de Affonso Romano de Sant’Ana, Editora Global

PROCURANDO TADZIO


TADZIO é a imagem de alguma coisa que eu procuro desesperadamente, sabendo que nunca, nunca, neste mundo, vou encontrar. A imagem de paixão do Aschenbach é igual à minha de 21 anos. Embora essas coisas bem antigas, possuem algum espírito, fascínio de coisa eterna.”

(Cazuza, a respeito do personagem Tadzio, do romance “Morte em Veneza”, de Thomas Mann e imortalizado no cinema por Visconti) Continue lendo