adiar o dia de sair do mar

se enturmar com o mar

sem querer domar o mar

ser do mar

fazer com que o mar

em ser espelho olhe-se

no acordo do céu

sem horizontes nem limites

aceitar o mar

em sendo mar se torne léu

sereia e todo ser

que se molha que se olha

em cada pele cada prole

 

formar brânquias

formar guelras

e barbatanas

para estar no mar

querer morar no mar

esquecer os dias de adiar

e se espraiar por lá

pacificamente

atravessar o mar

num barco a vela

num transatlântico

ou num vapor

seguir por onde for

seguir por onde o vento indicar

ouvir as conhcas ter os búzios

e deixar-se levar

deixar-se levar no mar

morrer no mar dormir no mar

viver o mar

infinitivo mar

Poema de Léo Gonçalves, tradutor e poeta, autor de WTC Babel , para o Suplemento Literário de Minas Gerais, edição 1338