“(…)O 12º romance de  Edmund  White foca uma categoria de amizade que não é tratada com frequência: o relacionamento de toda uma vida entre um heterossexual, Will Wright, e seu amigo gay da faculdade, Jack Holmes.

Cada um é reprimido à sua própria maneira e luta para se encontrar. Nenhum dos personagens é White, embora ele tenha se baseado fortemente em sua própria vida: Will vem de uma família rica e conservadora, como foi o caso do autor, e Jack começa como humilde redator de legendas em uma revista, como fez White para o departamento de livros da Time-Life.

A diferença, diz o escritor modestamente, é que “ele é muito bonito –mais que eu– e não é nem um pouco ambicioso”. Inicialmente, o heterossexual é o mais reprimido dos dois, possivelmente tendo mais capital social a perder no período do início dos anos 1960, antes da revolta de Stonewall, em que a história é ambientada. Enquanto isso, Jack, depois de chegar a Nova York vindo de uma faculdade no Meio-Oeste do país, abandona a ideia de viver convencionalmente e mergulha fundo na luta.

Em sua ficção, White escreve sobre sexo de maneira muito convincente, algo que é um talento raro. “A chave”, diz ele, “está em não escrever pornografia, não tentar excitar sexualmente o leitor. Mas descrever com fidelidade e realismo aquilo que acontece quando se faz sexo, que geralmente é cômico. Henri Bergson diz que a comédia está no lugar onde o mundo material resiste ao impulso espiritual.” White sufoca um risinho. “Portanto, jovens namorados que tentam sair de casa correndo para embarcar num carro e partir para sempre não conseguem passar pela porta. Esse seria um exemplo da ideia dele do que é comédia. Me parece que o sexo muitas vezes é o insucesso do corpo em concretizar as promessas do espírito.”

Trechos de resenha de EMMA BROCKES a respeito no novo livro de Edmund White, “Jack Holmes and His Friend” (Jack Holmes e seu amigo) para a Folha Online.