A fatalidade de ser gay se confunde com a idéia de ser aceito ,de parecer “normal”, como se a orientação sexual  fosse algo a ser conquistado.

A fatalidade de ser gay está no cerne da morte, da dor, da prostituição e do crime de que às vezes (muitas e não poucas) são conduzidos a maioria dos homossexuais por seus pares (entenda-se familiares e adjacentes).

A fatalidade de ser gay é a mesma de quem se encontra na margem, habita o subúrbio, tem a pele negra,é miserável, sem-teto, consome crack.

A fatalidade ser gay define a realidade do presidiário- travesti, do adolescente que abandona a escola para fugir da tortura do bulling constante.

Está no corpo dos maltrapilhos, dos silicones caseiros, dos esquecidos nas gavetas dos IMLs, dos decapitados com os órgãos sexuais enfiados garganta abaixo.

A fatalidade de ser gay é o inexorável destino dos agredidos com coturnos e soco inglês por rapazes fardados em madrugadas de tédio insone.

A fatalidade ser gay gera o impulso ao salto, ao veneno, ao corte do pulso como se não fôssemos assassinados todos os dias, a cada minuto, a cada segundo; como se nossas mães, nossos pais e irmãos, com seu ódio e sua vergonha infame não nos relegasse ao limbo e ao inferno do ostracismo e da solidão.

A fatalidade de ser gay gera uma couraça, um orgulho incompreensível e inexplicável que nos ampara e nos protege por toda uma vida e uma caminhada por uma zona escura ao lado de um Eros atordoado.

A fatalidade ser gay nos torna pródigos por sermos filhos e amantes sem sermos amados.

A fatalidade de ser gay produziu obra-primas como Davi,Monalisa, Um Bonde Chamado Desejo, Teorema,Morte em Veneza,entre outros.

TOM