Outra confusão literária aconteceu com um famoso texto atribuído a Borges sobre as maravilhas da vida, que nem com sua maior ironia ele teria suportado e menos ainda escrito. O suposto poema de Borges, “Instantes”, segundo esclareceu a viúva do escritor, María Kodama, é de autoria da escritora norte-americana Nadine Stair.  

Por outro lado, a pesquisadora Betty Vidigal (autora de “Posto de Observação”), em pesquisa bem fundamentada afirma que o poema também não pertence a Nadine, ou seja, a confusão continua. Afirma a pesquisadora : “Sabemos, pois, que Nadine Strain existiu: nasceu em 20 de novembro de 1892, morreu em 20 de novembro de 1988 e deixou seu corpo para a Escola de Medicina da Universidade de Lousiville. Em contrapartida, nada se sabe de Nadine Stair, a não ser que ninguém no Kentucky tinha esse nome, naquela época.”

Confira o poema !

INSTANTES

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade, bem poucas pessoas levariam a sério.

Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria  mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida: só de momentos – não percas o agora.

Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera a continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.