Seis meses sem um mísero poema.

Pari tantos e estou seco.

Mas quantos poetas sucumbiram

por reverberar sua fala

e quantos outros tiveram

de ser memorizados

para não se verem esquecidos!

A poesia nos salva do patético

e torna sublime a vida precária.

Tanto caos me apavora!

Vou comer carne crua

e vomitar as entranhas

em busca do primitivo renascimento.

Seis meses, meu pai, e nenhum poema.

Só charco de alho e querosene!

Só a atrofia de miragens

e o corpo demolido!

Nenhum milagre, nenhuma miríade!

Apenas a pele

exposta ao oco da modernidade.

Não quero mais este ofício

e confesso qualquer pranto.

Doem demais marimbondos

picando o estômago!

 

Não sei tecer espirais,

sou todo contrabando!

TOM