'O Diário de Um Jornalista Bêbado': Amber Heard ao lado de Johnny Depp

Um

Meu apartamento em Nova York ficava na Perry Street, a
uma distância de cinco minutos a pé do White Horse.
Eu costumava beber por lá, mas nunca conseguia ser aceito
porque não usava gravata. As pessoas importantes não
queriam saber de mim.

Bebi um pouco por lá na noite em que fui embora para
San Juan. Phil Rollins, que trabalhara comigo, bancava a
cerveja. Eu bebia tudo com sofreguidão, tentando ficar
suficientemente bêbado para conseguir dormir no avião.
Art Millick, o pior motorista de táxi de Nova York, estava
lá. Assim como Duke Peterson, que acabara de voltar das
Ilhas Virgens Americanas. Lembro que Peterson me deu
uma lista de pessoas que deveria procurar quando fosse a
São Tomás, mas perdi a lista e nunca cheguei a me encontrar
com nenhuma delas.

STILL(CARTAZ) DO FILME

Era uma noite gelada no meio de janeiro, mas eu usava
só um casaco leve. Todo mundo estava com casacos pesados
e paletós de flanela. Minha última lembrança é estar de pé
sobre as pedras sujas da Hudson Street, apertando a mão de
Rollins e amaldiçoando o vento congelante que soprava do
rio. Em seguida entrei no táxi de Millick e dormi durante
todo o caminho até o aeroporto.

Estava atrasado, e havia uma fila no guichê de reservas.
Fiquei atrás de uns quinze porto-riquenhos e de uma
loirinha. Tinha certeza de que ela era turista, uma jovem
secretária ensandecida indo até o Caribe para passar duas
semanas botando pra quebrar. Tinha um belo corpo
mignon, e seu jeito impaciente de esperar indicava uma
enorme quantidade de energia acumulada. Comecei a
encará-la atentamente, sorrindo, sentindo a cerveja em
minhas veias, esperando que ela se virasse e fizéssemos um
ligeiro contato visual.

Fragmento do livro de mesmo nome de Hunter S.Thompson, traduzido por Daniel Pellizzari