A estação dos homens dizimados.

Os zumbis cheiradores de crack.

As mulheres-frutas servidas no fast-food

televisivo.

Comprem, pelo amor de Deus,

meus órgãos baratos,

avisa o homem-sanduiche!

 

Eu bebo doses cavalares de uísque

enquanto o jovem prostituto

me dilacera num boquete.

 

La luna agoniza no teto mofado.

Preciso decorar com urgência

minhas falas de psycho-made-in-brazil.

 

Eu soluço diante Ray

e seu câncer de garganta.

Ray gostaria de beber gelado.

Ray é pintor de parede.

Suas digitais foram devoradas pela cal.

 

A chuva encharca de medo

o monstro do armário.

As seis da manhã preciso encontrar

o brinco perdido no estofado do carro

senão vomitarei compulsivamente.

 

No place to go,

No place to go,

No place to go.

 

O dia ainda não acabou em Honoi

e a vizinha me processará por causa

de  Shirley Bassey e Nina Simone.

 

Deus existe dirigindo táxi.

Lembre-se por favor de escapar

da câmera fria

de seu coração

desolado.

 

TOM