“Esses tesouros, esses móveis, esse luxo, essa ordem, esses perfumes, essas flores miraculosas – és tu.

Ainda és tu, esses grandes rios e canais tranquilos.

Os enormes navios que eles levam, todos carregados de riquezas e de onde sobem os cantos monótonos da manobra, são meus pensamentos que dormem ou resolvem-se no teu peito.

Suavemente, tu os conduzes para o mar que é o infinito, espelhando as profundezas do céu na limpidez da tua bela alma; e quando, cansados do marulho e abarrotados de produtos do Oriente, eles regressam ao porto natal, são de novo meus pensamentos enriquecidos que voltam do infinito a ti.”

Charles Pierre Baudelaire