O rapaz que no momento ama-me

profana-me

o corpo

com ambíguo humor.

Cheira-me, toca-me, sujeito desconexo.

Provisório na sua imaginação,

plural e condescendente.

Mergulhando meu estômago

como de viés o faz por sobre o ventre

em felicidade mortal.

Não quero a palavra, quero o peixe.

Não quero o sal, mas o desgosto.

Não quero a sorte, quero a entorse.

O sexo no solo do entreposto.

O gosto, o fel,o pó e o rosnado.

O orgulho de seu corpo em cadafalso.

Não quero a lucidez, mas névoa e soslaio.

Calabouço, redemoinho e esparadrapo.

Culpa de desejo

lágrima

e desespero.

 

TOM

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