Tardezinha. O sol alaranjado, estacado no caixilho oco do quadrado da janela, tocaiava dona Laura, que se tangia desacorçoada, de um lado pro outro do único vão do barraco.

Queixava-se da demora do filho menor, vista espichada no prumo da lixeira. receava que só chegasse junto como o breu da noite.

Para bem dizer, ela nunca aprovou a lida do rebento, catando de-comer pra ela e os irmãos no lixo, apesar da precisão.

Quando, enfim, ele riscou na moldura da porta do barraco, Laura escancarou a boca num sorriso solto, sem nem se importar com a desculpa que já vinha escapulindo das mãos abanando do menino :

– Não deu pra trazer nada hoje. Um urubu chegou primeiro.

Conto de Francisco Pippio, escritor e sociólogo sergipano, autor de “As Cidades”(7Letras)

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