Um passageiro ao longe, estanque,

salta amarrado a um paralelepípedo.

De mãos dadas (e disfarçadas) com Miguel

devoro um sanduíche.

Saímos cantarolando à paisana do motel.

O cheiro de nossos beijos queima o laranja do céu –

esta rua de quadrados contundentes

ardendo em nossos pés.

Não somos hediondos

como o amor que eles preconizam –

bastardos,talvez;ingênuos,quem sabe,

entremeio aparências , coincidências,

além da lúdica determinação

de sermos periodicamente felizes.

Viado, viado, viado!

Entre a verdade e o oco desta frase,

o que sou,clama por mim

nos telhados,nas colunas,

nos mármores e nos estofados.

Miguel vive sorrindo como se não fizesse

parte desse mundo.

como se não guardasse dentro do corpo

o vírus indelével

dançando entremeios nossos gemios

e suores.

TOM

Anúncios