“Nem sempre os homens morrerão em silêncio”

J.M.Keynes

Acreditamos

que os animais nos pertencem

e que  ao pagar temos soberania

sobre os corpos dos michês e das prostitutas

ou dos mendigos

cujos órgãos surrupiamos

para salvar este ou aquele filho.

Acreditamos em vão.

Acreditamos ser donos

da linguagem e do tempo.

Modificamos a linguagem,

interferimos no tempo

com a objetividade

de quem lambe um sorvete

ou um prato de sopa.

De onde provém tamanha prepotência?

Até quando suportaremos o surto

derivado

destes carros blindados

sem sequer percebermos

que a moldura que protege a gaiola

oculta um pássaro ensanguentado?

TOM

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