• Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962), virou filme, personagem de minissérie televisiva e música de Rita Lee.

  • O apelo de musa iconoclasta e agitadora política moldou a construção de uma figura meio cult, meio pop.

  • Mas agora, no aniversário de cem anos de seu nascimento, a imagem consagrada dará espaço à de uma outra e menos conhecida Pagu, a intelectual, culta e articulista prolífica.

  • “A imagem da menina que roubou Oswald da mulher [Tarsila] e andava com roupas escandalosas se estendeu para o tempo da militância política, tanto que o partido [comunista] a considerava uma burguesinha. Ela lutou muito contra isso, mas a fama permaneceu”, conta Geraldo Galvão Ferraz, o Kiko, filho de Pagu com o modernista Geraldo Ferraz.

  • Leia a seguir trecho de uma das cartas de Pagu:

(…) Agora, numa noite de julho de 1940, soltavam-me. Fiquei mais alguns meses além do que me condenara o Tribunal de Segurança. Eu não prestara homenagem ao Interventor Federal em visita à Casa de Detenção. Um Adhemar de Barros.

Antes daquela noite, há mais de dez anos, portanto, eu me desligara para sempre daquela gente. Expulsara finalmente de minha vida o Partido Comunista. Finalmente se acabara minha vida política.

Ao regressar àquela noite ao albergue paterno não podia me recusar a olhar para trás. Outros dez anos se haviam passado desde a primeira prisão… Dos vinte aos trinta anos, eu tinha obedecido às ordens do Partido. Assinara as declarações que me haviam entregue, para assinar sem ler.(…) Então, quando recuperei a liberdade, o partido me condenou: fizeram-me assinar um documento no qual se eximia o Partido de toda a responsabilidade.

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