Inútil.

O poema não nascerá de teu grito solitário.

O poema não nascerá de tua mão aberta na tarde

como rosa de espanto.

Nem do jeito manso como mastigas teu pão,

nem de teu maxilar e teus dentes rudes

quebrando estrela, fúrias.

O poema nascerá do coração do mundo

doendo no teu peito,

como uma praga,

um tiro.

ERNESTO ARAÚJO

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