De 26 de outubro de 1977, dia seguinte ao da morte de sua mãe, até 15 de setembro de 1979, Roland Barthes manteve um diário de luto, 330 fichas quase todas datadas e reunidas aqui num conjunto publicado pela primeira vez.

11 de novembro

Solidão = não ter ninguém em casa a quem dizer: voltarei a tantas horas, ou a quem poder telefonar (dizer): pronto, cheguei. (…)

12 de novembro

Hoje – dia do meu aniversário – estou doente e não posso – não preciso dizer a ela.

(págs. 42 e 44)

O lugar do quarto onde ela esteve doente, onde ela morreu e onde habito agora, a parede na qual a cabeceira de seu leito se apoiava, pus ali um ícone – não por fé – e ponho sempre flores sobre uma mesa. Chego a não querer mais viajar para poder estar ali, para que as flores nunca murchem.

“Diário de Luto”
Autor: Roland Barthes –

Saiba mais sobre escritor aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Roland_Barthes

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