Meu bom, amado, melhor, desagradável, insuportável amigo, meu delicado, maleável tirano, meu Sigi!

Não tenho como colocar um título nesta carta, pois eles estão todos sentados à minha volta. Eli acaba de sair para ir ao centro da cidade, e estou aproveitando os poucos minutos que ainda tenho antes de ir dormir para escrever algumas palavras. Muito obrigado,prezado doutor, por sua atenção.

Como o senhor foi capaz de adivinhar quem é o meu poeta predileto? Apenas tenho que lhe confessar que não gosto de textos escritos no verso de fotografias, e que seu estilo me pareceu um tanto grosseiro. Mas não é nada gentil dizer algo assim a alguém…

Seja como for, não tenho nenhuma má intenção, meu amado,único, doce, bom doutor. Excetuando-se isso, estou bem satisfeita com seu estilo e talvez o senhor precise ter um pouco mais de paciência com o meu.(…)

Se eu penso em você, amado? Em todas as Tive que ouvir reprovações e perguntas urgentes de Eli, que queria saber porque eu sempre queria voltar para casa,”se isso não é uma infantilidade, uma tolice”, e se eu não estava ne divertindo. Que mamãe estava com saudades de mim e não queria confessá-lo era algo que ele não queria ouvir(…)

Entrementes todos os outros já foram se deitar e eu estou sentada sozinha, a grande folha de papel de carta de meu bom tio está bem cheia, e agora ainda rapidamente envio um beijo a você, meu amado, malvado e querido homem.)(….)

Fragmento de carta de Martha Bernays para Sigmund Freud, liberadas por Ana Freud, filha do casal, e publicada na edição de Seja Minha Como Eu Imagino – As Cartas à Noiva, só disponível em alemão . Os fragmentos da carta acima encontram-se na edição de nº 161 da revista CULT.

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