Alguns escritores e editores oferecem uma receita bastante simples para a criação de um romance campeão de vendas. É mais ou menos assim:

1. O romance precisa atender às exigências do mercado, ter o propósito de vender muito. Então, antes mesmo de começar a escrever, o autor precisa ter em mente esse propósito.

2. O romance tem que apresentar uma linguagem simples e acessível; que possa ser compreendida pelo maior número de pessoas. O narrador mais adequado ao romance best seller é o narrador onisciente, aquele do folhetim do século 19.

3. O romance tem que ter um enredo complexo ou complicado, cheio de reviravoltas e surpresas. Perceberam? Linguagem simples e enredo complexo. Diferente da linguagem complexa e do enredo simples de uma Virginia Woolf e uma Clarice Lispector.

4. A trama tem que revelar um mundo estranho e excêntrico. O autor faz isso lançando mão do esoterismo, da magia , da fantasia.Ou, seguindo outro caminho,escrevendo sobre espionagem internacional, crises políticas, terrorismo, detetives, etc.

5. A trama tem que privilegiar os clichês e evitar os experimentalismos. Quem diz isso são os críticos mais malvadinhos, da academia e dos suplementos literários.

6. O romance pronto, é preciso agora uma vigorosa estratégia de marketing: boa exposição na mídia, nas livrarias, anúncios em jornais e revistas, aparições do autor na tevê, boa divulgação boca a boca , etc.

7. Finalmente, é preciso ter sorte.Sem uma ajudinha do acaso, da sorte, nenhum livro vira um campeão de vendas.

Fragmento de texto de Luiz Braz para o Suplemento Literário “Rascunho”

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