Todas as vezes que  aproxima-se outubro, penso na diversidade das estações.

“Vamos dormir juntos hoje?”,foi o que perguntei a Marla,minha recente namorada. Ela disse não e lá fora o tempo aquecia a varanda.Quis de atirá-la pela janela.

Naquele mesmo dia bebi ao entardecer num bar.Adorava os odores de outubro, por isso ofereci cerveja ao rapaz a meu lado. O bar achava-se vazio e com vasta claridade. Tudo arfando: desde os copos até as tábuas da varanda e Marla em quem por pouco não estourei uma bofetada.

O rapaz havia perdido o trem e decidira admirar a arquitetura da cidade:”Linear, um pouco neoclássica”, explicou.

Preenchi seu copo até a borda e inesperadamente toquei-lhe a mão perguntando se queria dormir comigo.

Ele aceitou e levei-o para meu sobrado. A bagagem ficara na estação, pois pretendia partir ainda naquela noite.

Quando chegamos, Marla acabara de ligar deixando recados na secretária eletrônica dizendo ter mudado de idéia.

Quis novamente esmurrá-la, mas outubro era tão belo e o rapaz achava-se assentado em minha poltrona preferida.

TOM

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