Eu posso fazer uma faxina geral nos relógios

enquanto assisto a chacina dos convocados para o censo.

Posso compor uma sinfonia sagrada,

mas tudo que vejo são estes anjos gordos

distribuindo capsulas de cianureto

nas filas do que aproveitam o feriado.

Meu amante esquizofrênico costura

no terraço as asas com que pretende saltar

na noite do ano novo.

Saco do bolso o cartão do masturbador profissional

estabelecido no prédio da antiga alfaiataria –

é um negócio lucrativo.

Guitarríssimo, o bar da esquina,

sofre com a concorrência e pensa em despachar

suas putas-ninfetas

pro telemarketing.

Eu posso comprar anabolizantes e ganhar uma fortuna

vendendo comprimidos à preço de banana

pros universitários descolados.

O dia transcorre vadio nos saguões dos aeroportos,

nas pistas dos inferinhos,

no campo minado da periferia

e nos muros pixados dos condomínios,

enquanto novos vagões

transportam humanos displicentes…

pro feriado.

 

TOM

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