Conheça trecho do romance “Chuva Negra“, de Masuji Ibuse

6 de agosto

Às cinco e meia da manhã o caminhão do senhor Nojima chegou para carregar os pertences para a evacuação. Em Furue, enorme clarão e estrondo. Fumaça negra sobre a cidade de Hiroshima, semelhante a uma irrupção vulcânica. Regressamos de barco por Kusatsu, ancorando sob a ponte Miyuki. Minha tia estava sã, meu tio apresentava um ferimento no rosto. Um incidente sem precedentes no século. Porém, não se conhecem bem todos os aspectos do problema. A casa se inclinou
quinze graus e escrevo este diário na entrada do abrigo antiaéreo.

7 de agosto

Ontem havíamos decidido nos transferir para o dormitório dos operários da fábrica de Ujina, mas desistimos por se mostrar inviável. Seguindo as palavras de meu tio, nos refugiamos em Furuichi. Minha tia estava conosco. No escritório da fábrica, meu tio chorou. Hiroshima é uma cidade incendiada, uma cidade de cinzas, uma cidade de morte, uma cidade totalmente destruída. Empilhados, os cadáveres protestam silenciosamente contra a guerra.”

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