“(…) Ema e Bárbara eram tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas de escritório. (…) No momento em que Ema depositava o refresco na mesa, ouviu-se um estalo.
– Porcaria, meu sutiã arrebentou.
– A alça?
– Deve ter sido o fecho – ergueu a blusa – veja.
Bárbara fez várias tentativas para fechá-lo.
– Não dá, quebrou pra valer. (…)
– Você acha que eu tenho seio demais?
– Claro que não. Os meus são maiores…
– Está brincando – Ema sorriu. (…)
– Duvida? Pode medir…
– De sutiã não vale – argumentou. – Vamos lá em cima. (…)
Ema acendeu a luz do quarto. (…)
– Decididamente perdi o campeonato. Em matéria de tamanho os seus seios são maiores do que os meus – a outra admitiu, confrontando.
Carinhosa, Ema acariciou as costas da amiga, que sentiu um arrepio.
– O que não significa nada, de acordo? – deu-lhe um beijo. (…)
– Que horas são? – Ema escovava o cabelo.
– Imagine, onze horas. Tenho que sair correndo.
– Que pena. (…)
– É tarde, Ema. Tchau. (…)
– Ora, Bárbara… (…)
– Boa noite, querida. Durma bem.
Ema (…) pensou, sentando no sofá. Um sentimento de liberdade interior brotava naquele silêncio. Um sentimento místico, meio alvoroçado, de alguém que, de repente, descobrisse que sabe voar. Por quê?”

Conto de Edla Van Steen

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