A “bicha- quá-quá”, a “bicha-pão-com-ovo”, também é componente essencial na nossa busca por identidade e pela ampliação da visibilidade que tanto almejamos. Pense nisso, antes de virar os olhos ou sorrir com desdém.  

Rapazes de classe populares que não moram no “Centro”, se reúnem para tomar cerveja, dançar em algumas das várias boates ou  buscar possíveis eventuais parceiros sexuais ou simplesmente observar o movimento da rua (porque não?).

Com freqüência, esses rapazes são referidos como “bichas quá-quá”, “bichas poc-poc”,”bichas um-real” – termos pejorativos, quase “categorias de acusação”, que pretendem designar o jovem homossexual mais pobre e afeminado, de comportamento espalhafatoso e menos sintonizado com linguagens e hábitos “modernos” de gosto, vestimenta e apresentação corporal.

Esses jovens gays sofrem de um tipo de discriminação  ou segregação hierárquica, uma segmentação da homossexualidade em uma variedade de estilo de vida. Volta e meia você já ouviu (ou mesmo pronunciou) a frase: “Detesto efeminados”.

A “bicha- quá-quá”, a “bicha-pão-com-ovo”, também é componente essencial na nossa busca por identidade e pela ampliação da visibilidade que tanto almejamos. Pense nisso, antes de virar os olhos ou sorrir com desdém.

E lembre-se, os homofóbicos estão atentos e não perguntam duas vezes antes de explodir uma lâmpada em seu rosto.

A partir do texto “Do Gueto ao Mercado” 

de Julio Assis Simões e 

Isadora Lins França

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