Depois do amor

deixarás o quarto na penumbra,

os lençóis usados,o perfume

dos corpos e o abraço.

Depois,noutro lugar da casa

as persianas quase fechadas,

a luz filtrada como um quadro

de Matisse, um poema

nalguma voz excepcional

e o cigarro, lentamente.

Ainda um beijo perdido e tímido,

o aroma do gel de banho.

A porta fechava-se por fim

e nós íamos pelas ruas

ao anoitecer sentindo a atmosfera

de cada dia, a despedida

com certeza doutro encontro.

 

{Poema da escritora lésbica portuguesa Isabel de Sá, em “O Brilho da Lama}

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