“A Era da Ansiedade” é considerado um dos mais importantes e enigmáticos poemas já escritos em língua inglesa no século 20. O ponto de partida foi o período que Auden passou na Alemanha logo após o fim da Segunda Guerra, enviado por uma instituição norte-americana para observar os efeitos psicológicos devastadores do conflito. Deu-se conta, horrorizado,de que as ansiedades provocadas pela guerra não se evaporaram quando ela chegou ao fim – ao contrário, se acentuaram. O que você vai ler é apenas um fragmento do poema.

Enquanto esperava ser servido, QUANT se olhou novamente no espelho do bar, num relance, e pensou:

O ingênuo George chegou ao fim da jornada

trucidado por um tira dentro de um mictório,

Dan caiu morto em sua mesa de jantar de

repente,

a senhora O’Malley e a senhorita De Young

afastaram-se juntas para lugares ermos,

onde cães do deserto reduziram as duas

à condição de ossos dispersos, e você parece

assustado,

caro amigo de amigo, ao me encarar agora.

Como está capenga e acabado, como para

indeciso

na encruzilhada feito um sapo, você antes meu

distante

Príncipe primaveril e aqui um reles passageiro

a se encolher na barraca. Que trunfos agora

aclamam

suas velhacarias? Ante seus ossos se ajoelhe,

agarre-se aos engasgos da tosse. Seu castelo ruiu.

Chove, se você correr, e, se ficar, enferruja.

Zele pela minha fraqueza. O pior está por vir.

Os Anjinhos Aziz terão de soprar cornetas

mais alto

e por mais tempo ainda, porque as ovelhas

desgarradas

estão comendo plantas venenosas. Mas não

importa…

Trecho traduzido por Leonardo Fróes

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