Dario atravessa a cidade

carregando no bolso

um provisório

atestado de morte.

Inveja o sangue

do mendigo bêbado

na calçada.

Dario atravessa a tarde

sabendo que vai morrer.

E se a infância tivesse sentido?

E se de repente ficasse louco?

E se o amor não se convertesse num desastre?

E se Deus descesse de seu paraíso para vir lhe apertar a mão?

Dario atravessa  a cidade no ano peste.

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