“Relaxa-se, ajuda o macho que, com movimentos que doem e não doem, vai penetrando em suas entranhas […] Um último empurrão completa a obra; King-Kong é dono de seu corpo, submete-o; sente que toca no fundo e que triunfa […]

(Trecho de “Orgia” de Tulio Carella .Nesta passagem picante e extremamente bem escrita ele descreve a entrega  a um negro que ele apelidou de King-Kong.)

Quase no fim do livro, exclama: “eu parecia um homem criado para pôr as bocetas em combustão, mas eis que faço arder as picas como tochas.”

Leia abaixo mais trechos do livro “Orgia”

“Devo abandonar meu país, minha família, minha casa, meu trabalho, meu cachorro, para passar um ano numa cidade que não conheço e que, por isto mesmo, me atrai.

As aulas devem ser dadas com a finalidade de encaminhar o aluno a ser autor. O ofício pode ser adquirido, as condições artísticas não dependem do estudo. Cada conceito tem de ser repetido e discutido. —— Minha aula é uma das mais frequentadas e os alunos se mostram entusiasmados.

A diferença entre classes permite levar uma vida dupla, pelo menos durante algum tempo. E quanto ao refinamento artístico e à cultura, Lúcio acha que são um contrapeso nele para equilibrar outras falhas. Decide agir com cautela, até ver que possibilidades lhe oferece a cidade. Enquanto isso, anota com perversa constância em seu diário tudo o que lhe acontece. Sua vaidade é tão grande que não desdenha os mínimos detalhes.

Ninguém, pode viver só. —- Passeio, aparecem muitos, mas nenhum me agrada. —Salvo os jovens realmente efeminados, é impossível diferenciar a que sexo pertencem, pois o chamado terceiro sexo inclui inumeráveis subdivisões.

Penso que pela veias dos negros não corre sangue, mas luz do sol, a substância vital dos trópicos alegres, cantantes e trágicos. Gozam com o sexo, a vida, a morte e a dor. Mas neles tudo se tranforma em prazer e, enquanto podem, vivem até a última gota de sangue.

Chama-se Odílio, está para casar, e ostenta uma corrente de ouro no punho direito. Previne-se contra ladrões. Trabalha, ganha bem e não precisa de ninguém. Toma minha mão e acaricia, admirando sua alvura. Depois, suavemente, leva minha mão à sua coxa, ao seu pau já duro. Seu riso é deslumbrante e me diz que somos irmãos. Se quiser, nos encontraremos amanhã. Eu quero. Estou perturbado, tremo e volta-me uma pergunta que já me fiz várias vezes: Que é um negro? É ridículo, mas me sinto como se tivesse doze anos.

A passividade de Lúcio é uma resposta, um consentimento. Para ter a certeza, King-Kong acentua a pressão, movendo-se apenas. Acentua, também, a intimidade e a pergunta muda é agora o sexo que se comprime na coxa de Lúcio.

É preciso que entre nesse corpo pálido, alheio à sua terra, para comunicar-se com os deuses brancos que o habitam, mesmo que tenha de rasgá-lo e fazê-lo sangrar. (…)
O violador começa a mover-se, a princípio com lentidão, depois com maior força e velocidade, até alcançar um ritmo igual, regular, inquisitivo. No espelho se reproduzem os corpos acasalados, que se movem em cadência, e o longo sair e entrar, à maneira de um êmbolo, do enorme membro viril que o despedaça, mas que o faz experimentar sensações jamais sentidas. O silêncio se acentua (a respiração arquejante dos dois participa desse silêncio) e transforma-se em algo jubiloso que aumenta, cresce, até parecer um canto. Lúcio põe as mãos para trás, a fim de acariciar esse corpo maravilhoso, senti-lo mais e melhor. Nesse momento, King-Kong emite um doce gemido e atinge o orgasmo, imobilizando-se.

– Eu o vi num grande salão, rodeado de alunos. Depois, numa casinha com janelas de grades, perto do mar, um mar onde há tubarões. “

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