“Janaina, uma menina de 14 anos, não tem a ponta do dedo indicador da mão esquerda.É o menor de seus problemas. Janaina começou a se prostituir aos 10 anos.O primeiro a abusar dela foi um policial.Ganhou em troca uma pedrinha de crack. Entrou na roda-viva de prostituir-se, ou “fazer programas” – muitos, a cada dia -, em troca das pedrinhas miraculosas – muitas, a cada dia.”

O crack nada mais é do que a cocaína em pó, adicionada de água e de bicarbonato de sódio. Essa mistura é aquecida até a água evaporar, e o produto final consiste em pedras de cocaína.

O crack é fumado em cachimbos, que podem ser comuns ou improvisações com base em tubos de caneta Bic, copinho de Yacult ou latas de cerveja furada.

Quando o cachimbo é aceso e a pedra, parecida com uma pedra de açúcar , de uma cor que vai do branco ao marrom, pega fogo, produz um estalo. Daí o nome crack”, estalo em inglês.

O grande diferencial é o preço. Há pedras de 10 reais , de 5 e “lasquinhas” de  1 real. Daí o seu apelo junto a populações nos últimos subsolos sociais.

Fragmento de “Do outro lado da lua”, texto de Roberto Pompeu de Toledo, para a Revista “Piauí”.

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