Aquele pederasta tem as coxas pesadas

de tesão e calma.

Aquele rapaz é um cervo pastando

as gramíneas breves do néon

– sua boca é uma flor premeditada.

Cristo mendiga silencioso pels bares

onde as marafonas metódicas furam

os tímpanos da noite & 

apertam as coxas vaporosas.

Os policiais têm as nádegas

opressas pela farda & São Paulo

escorre das olheiras,

decola dos balcões,

borbulha,incha, estrala.

Quem tocou a cidade com treva?

As bocas vazias de ar são lentas

chagas circulares,

as mãos,

uma invasão desordenada de asas.

O peixe histérico a fala.
O poeta se esgueira entre a selva

dos corpos e garrafas,

ofega, se abaixa:

na calçada a caça se instaura.

Autor: França

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