E pontualmente todos os domingos

cometemos suicídio.

No embotamento de suas manhãs de ressaca

e espermáticos lençõis espargidos de amarelo

No tédio de seus jornais infinitos

com dez quilos de classificados,

nos seus almoços surrealistas

em circos chamados restaurantes.

No vazio de suas tardes intermináveis

cheias de telentorpecentes.

No ar parado de suas mortes

embrulhadas em mortalhas.

Todos cometemos suicídio

e mesmo os poucos sobreviventes

todos osdomingos cometeram

algum tipo de suicídio.

LUIS MARIA ACUÑA

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