[Diário de Bordo:]

a luz de maio não aquece o coração.

A luz de maio carece de vitrais imaginários, de mares e navios e quotidianos e maternidades.

A flébil luz de maio em núcleos profusos, sem causa,distração e essência.

Sem natureza.

Só ociosidade, hálito e conforto.

A luz e maio despojadamente filtrada,roçando gerânios, lambendo unhas, borrifando de círculos o pó,entornando a vida de insônias, rompendo ínfimas necessidades humanas.

A luz de maio na fertilidade dos ventres,na opacidade dos ódios, na explosão do mar.

A luz que arde crescente por todas as coisas, sobre todas as coisas.

Inútil para uns, desnecessária para tantos,imprescindível a outros.

Rumor, suavidade,claudicância.

TOM

Anúncios