LETRA INÉDITA DE CAZUZA

Estava tudo na pasta verde, no quarto, sobre o armário. Assim que o filho Cazuza morreu, a mãe Lucinha assumiu a tarefa das mães: respirou fundo, entrou no quarto do filho para arrumá-lo e viu a pasta.

Dentro, quase 60 letras inéditas que Cazuza escreveu muitas delas em 1989, seu último ano de vida antes de partir pela aids, em 7 de julho de 1990. Um ano de mergulhos intensos na alma. De poesias que debulhavam o amor naquelas expressões que os amantes nunca esperavam a súplicas por uma ajuda divina. Cazuza não queria morrer.

QUAL É A COR DO AMOR? (CAZUZA – 1989)

Primeiro é o beijo

Quente, procurado

A língua procurando a outra

E vendo se a boca combina

Se combina o beijo

Meio caminho andado

Depois é a pele

Se a textura vale

O pelo com pelo

Ou o pelo com o seu pelo

Ou os pelos com meu pelo

Ou o medo

Depois o cheiro

Um procura no outro

O cheiro de colônia ou

O cheiro de prazer

E os dois se embriagam

Ou vão até o banheiro

Depois a cor

O amor tem cor?

Cada amor tem uma cor

Cada beijo tem uma cor

Cor de caramelo doce

Cor de madrugada fria

Fonte : Estadão

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