Há mendigos homossexuais.

Alguém já se perguntou como eles vivem, como amam? Se um doente mental homossexual amar outro numa Casa de Custódia, o que acontece? Algumas perguntas. Para quem quiser, eu tenho outras.

O que me incomoda, incomoda acintosamente, desesperadamente e cruelmente é realmente a questão da invisibilidade. Das coisas nunca ditas ou nunca discutidas. Não divulgadas pela mídia, por que não convém. Aliás, essa nossa grande mídia atual, esse quarto poder, hoje é algo superficial. Onde foram parar os jornalistas investigativos? 

Falar do gay que freqüenta os Jardins, o Frans Café da Haddock Lobo, a Farme de Amoedo ou o Fashion Week todo mundo já faz.

Não me interessa o homossexual que toma extasy nas baladas, a cinqüenta reais o comprimido, mas o que cheira cola nas sarjetas.

Quero falar do gay que come ovo cozido com casca colorida nas padocas da vida, junto com tubaína, o que chupa pé de galinha empanado com o coração arrebentado de tanta poesia.

É desse que eu quero falar, já que ninguém fala.

Afinal, como se diz por aí, alguém tem que fazer o trabalho sujo… A invisibilidade é o retrato da tragédia humana sobre a Terra.

 Esperança no ar? Sou humano. Não consigo acreditar em cadeias nem em castigos. Silêncio sempre foi sinal de pesar. Toda Alegria é falada. E, de preferência, gritada.

Texto de Ricardo Rocha Aguieiras 

rdo Rocha Aguieiras,

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