Todas as tardes examino as mariposas que perecem emparedadas de vidraça e luz de neblina sob holofotes de postes e gente que passa imune a sua sorte.

Aos poucos vai-se construindo um cadafalso de asas negras e pálidas de pequenos corpos.

As mariposas não cantam como as cigarras. Só arfam no destino inexorável.

Ninguém também faz vômitos de mariposas e o seu pouso possui a deselegância dos lepidópteros crepusculares.

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