Locais suspeitos,pouco iluminados,

paquera entremeio automóveis.

Paquera entre pedestres e motorizados

na orla da noite, na beira da lagoa,

nas sombras da parcas árvores

os anjos em liquidação,insistem.

É sua noite de sábado

é sua cota de diversão.

No estacionamento dos caminhoneiros

rola sexo dentro e entre os caminhões

com os machões fedendo a azedo,

homens desdentados e sedentos

por  cópulas baratas.

Do alto dos prédios

michês de luxo  observam mensurando

o grau da própria miséria.

Já estiveram ali.

Já preencheram seu carnê de esporádicas surubas.

Já tiveram seus dias de merreca e

michê barato.

A noite é perigosa.

Assassinatos ocorrem.

Roubos de carteiras e celulares.

Nem Saint Genet , suportaria.

Os anjos desgovernados

sobem e descem avenidas.

Vida de puto não tem descanso.

Aceitam qualquer trocado

quando pechincham seus corpos.

E estão sempre “procurando emprego”.

Matam a fome nas praças de alimentação.

Descansam suas carcaças no piso do cinema ,

nos corredores dos bares,

ou em encontros fortuitos nos sanitários.

Rota desenfreada de anjos depilados

ou quase,

ou nunca,

ou jamais.

Porque estes corpos não têm descanso.

Porque  cicatrizes se abrem em chagas.

Ou em lágrimas açucaradas pelo gloss

que banha os lábios,

Pelo excesso de porra que

atravanca a garganta.

Se tiverem sorte

adentrarão um motel climatizado

nos braços do taxista tarado.

Se não,

é só estatística e  mais um corpo

no acostamento.

(Fragmento de Poema do Tom)

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